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| Você está em: Carta Mensal | Brasil, 07 de setembro de 2010 | ||
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![]() O papel do CRE Dias destes, fui chamado ao telefone por uma equipista amiga, eleita com seu marido para ser, pela primeira vez, Casal Responsável da sua equipe, a qual acaba de sair da pilotagem. Estava um tanto quanto amedrontada. Como sabia que eu e minha mulher somos velhos no Movimento, pediu que explicássemos qual o papel que o CR deve desempenhar. Fui logo alertando que, pelo telefone, não seria possível. Ponderei, ainda, que uma simples explicação, apressada e superficial, não atenderia ao que, no fundo, ela desejava e o assunto exigia. Prometi-lhe, em conseqüência, colocar algumas ideias por escrito do muito que aprendemos ao longo de tantos anos e com tanta gente boa. Inclusive com o próprio Pe.Caffarel, nas 5 sessões de formação de que tivemos a graça de participar. Como o que escrevemos, talvez, possa interessar a outros casais, aconselharam-me que publicasse a carta. É o que faço a seguir, omitindo, é claro, não só o nome da destinatária original, como alguns trechos para que o texto ficasse com a forma de um artigo. Não é preciso dizer que o CR não é um burocrata encarregado de marcar reuniões, cobrar a contribuição ou fazer o relatório. É muito mais do que isso. É uma missão, antes de mais nada, eclesial: estar a serviço da “pequena ecclesia”, como gostava de lembrar o nosso Pe. Caffarel. Significa dizer que o responsável deve ter a preocupação primordial de fazer com que a reunião da equipe não seja uma reunião meramente social, onde se dão boas risadas, conversa-se bastante, fala-se de mil coisas, come-se bem e, até, reza-se, ao final da qual, porém, todos saem como entraram. A reunião da equipe deve ser colocada em um outro patamar, aquele em que, como dizia Santo Agostinho, através das coisas visíveis é-se levado a enxergar as coisas invisíveis, tal como ocorre com os sacramentos. A água, o pão, o vinho são realidades visíveis, mas, pela visão de fé, a água do batismo faz-me enxergar no batizado um novo filho de Deus, alguém que passa a viver da vida do próprio Deus. O pão e o vinho apresentados ao povo, após a consagração, permitem que se saiba que ali, na realidade visível, está a realidade invisível e admirável do corpo e sangue de nosso irmão Jesus, aquele que nasceu das entranhas de Maria e deu a vida por nós para nos garantir um futuro imensamente glorioso. Assim também na reunião de equipe: sem a visão de fé, ela não passa de uma reunião meramente social (às vezes até pouco agradável), mas se olharmos o encontro mensal com o olhar ditado pelo dom da fé, ali veremos o Cristo presente, como Ele mesmo prometeu: “quando dois ou três se reunirem em meu nome, Eu estarei no meio deles”. Aí, então, estará formada a “pequena ecclesia”. O papel do CR é, pois, antes de mais nada, encarar a reunião sob este prisma de fé e procurar fazer com que os membros da equipe também olhem o encontro com o olhar de fé. Uma missão fundamental decorrente da própria ideia de Ecclesia é que, como dizia e repetia sempre o Pe.Caffarel, o CR “é o responsável pela circulação do amor fraterno”. E isso é absolutamente fundamental. Para exemplificar, recordo o que se passou em uma reunião a que tivemos, semanas atrás, a ventura de assistir. O que nos encantou e nos encheu de alegria foi ver com que interesse cada um dos membros da equipe preocupava-se com o grave problema de um deles. Uma preocupação sincera, real, vinda do fundo do coração. Preocupação que era o alicerce do forte desejo de ajudar o casal da melhor maneira ao alcance de cada um deles. Mas isso fizeram com verdadeira abertura de coração, expondo sem subterfúgios o que pensavam, ao ponto de um deles recriminar o outro por não ter exposto o problema em sua inteireza desde que ocorreu, sem envolvê-lo em desculpas e rodeios. Em suma, confesso que pude ver e constatar “como eles se amam”, sem pieguices ou sentimentalismos. Recordei, outro dia, algo de extraordinário, profundamente impactante, que a história registra: o gigantesco Império Romano, talvez o maior e mais bem organizado que já existiu, ao ponto de nós, cá neste Brasil, distante séculos da Roma imperial, não deixamos de ser herdeiros dela, tanto que falamos uma língua que não passa de um latim estropiado. E o que fez o grande império ruir por terra? Sair de um elaborado paganismo, repleto de deuses, para uma religião que daria origem a um novo modo de viver, o Cristianismo? O que fez a religião perseguida pelos césares vencer todos os obstáculos? – A constatação, pelos pagãos, do que se passava com os abomináveis cristãos: “vejam como eles se amam”! O CRE tem como missão precípua fazer com que os membros da equipe também, acima de tudo, possam dizer “vejam como nos amamos”! Importante, assim, nessa perspectiva, é o momento da coparticipação, momento por excelência da presença do amor fraterno. Isso exige, porém, abertura de coração, de pôr em comum as preocupações, problemas e alegrias que residem além das meras aparências, que estão no âmago do coração, aquelas que não somos capazes de contar para qualquer amigo. Só assim, conhecendo o que se passa no íntimo do casal e de cada um, será possível ajudar o companheiro, amá-lo de verdade e não apenas com palavras bonitas ou simpáticas. Aliás, o profeta Isaias lembra, bem à maneira realista de quem cuida das ovelhas, qual o papel do CRE: Como o pastor cuida de seu rebanho, juntando os carneirinhos e os carregando ao colo para levá-los às ovelhas que os estão amamentando (Is 40,11). O problema é: Como desempenhar tão nobre missão? A nossa experiência, vivida ao longo de 56 anos, com toda a sorte de responsabilidades no Movimento, é uma só: é preciso rezar! E rezar muito, a fim de discernir o que o Pai quer que a gente faça em favor dos irmãos. Sobretudo para ajudar os que necessitam beber o leite da sabedoria para sair de situações intrincadas, que precisam ser animados quando o peso dos problemas os acabrunham, que buscam a alegria do casal e dos filhos quando os acontecimentos parecem conspirar contra. Não é fácil. Mas estejam, casais responsáveis de equipe, absolutamente certos de que vale a pena. Quem mais sai ganhando, no final das contas, é a gente mesmo: a felicidade vale qualquer preço porque não tem preço. E fiquem certos de que nunca estarão ao desamparo: o Senhor estará sempre do lado dos novos responsáveis. Luiz Marcello da Esther
Fevereiro 2009 Outras edições: O que é a Carta Mensal? A Carta Mensal é uma publicação do Movimento das Equipes de Nossa Senhora. Sua circulação é restrita a seus membros e tem como principais objetivos: • Veículo de comunicação da Super Região (responsável pelo Movimento no Brasil); • Instrumento de circulação da seiva do Movimento; • Instrumento de formação para os equipistas; • Transmissora de notícias de interesse geral; • Favorecer e manter a unidade do Movimento. |
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